Tétis aos pés de Jupiter

Tétis aos pés de Jupiter
"Dos mares Tétis, sem que olvide o filho,/ Surgindo matutina, ali se alteia,/ Semoto encontra o providente Padre/ No fastígio do Olímpo cumioso,/ Pára, da sestra prende-lhe os joelhos,/ da destra o mento afaga" - Ilíada - Homero - transcriação de Odorico Mendes.

domingo, 1 de agosto de 2010

Atridas em Ítaca: Convocação para guerra - 1a Parte

Sulcam suavemente, abrandado pelo Euro o vasto ponto, as bojudas naus que transportam os Atridas - Agamémnon, pastor de povos, e seu irmão de fulva coma, Menelau - à sumosa Ítaca, quais iam ter com o Laértida, egrégio Odisseu, e convocá-lo à guerra que arrasaria a Priâmea pátria, Ílion, criadora de cavalos, que por pacto jurados sob o cetro de Tideu, exímio engenho agastado pelo próprio Industrioso, deveriam lutar pela honra daquele que desposara a mais bela das mulheres, bracinívea Helena, semelhante às olimpíades.
Contíguo do belígero Menelau, como parelha de mus ajoujados, Palamantes Nauplíades, primo-irmão do Atrida, qual pérfida serpe embrenhada em vasto choupo a espera de incauta rês desgarrada, caminha pisando nos calcanhares deste sempre a soprar-lhe torpes verdades.
Em Ítaca chegados, quando perso arrebol se divisava, são interpelados pelo porqueiro Eumeu, de régia estirpe, porém fâmulo querido à Ulisses:
“Quanta dor e ávido estímulo sinto em vê-los, tal como dissonantes notas tocadas por inábil numa lira! Sou Eumeu, o porqueiro, porém de nobre assento me regalo de ser; e cá me dirijo, não por minha própria vontade, mas a mando da pulquérrima Penélope, consorte de nosso desarrazoado senhor, o Laércio Ulisses.”
“Palavras obscuras proferes, porqueiro!-retorque o maior dos Atridas - Ou doido és e por excesso de estima Odisseu te deixa entre os teus, ou sou eu que o tino perdi na vinda à Ítaca abundante em outeiros. Já, já, explica-te ou cala-te, leva-me até o alcáçar e introduz-me ao teu senhor, pois ignaro penso ser Ulisses de nossa chegada. Noite é! Convém libar e os membros laxar em finas e felpudas cobertas, como cabe a hospede ilustre.”
“Ouço e obedeço quanto me ordenas, rei dos reis, Atrida altivo! Segue-me pois, que na carreira explicarei meus obnubilados lamentos, que tanto me abrasam, e então poderás julgar quem, em toda Ítaca verdejante, agora sofre dos miolos”
Seguem os reis, da Atrea estirpe, o porqueiro que na frente ia, qual montês que, por intrincadas sendas, ensina veredas aos filhotes, Eumeu guiava.
Menelau, belígero sublime, de sanguínea coma, interpela o roto Eumeu:
“Agora que Faetonte já a muito guardou a quadriga solar conta-nos, pois, Eumeu, velho e nobre porqueiro, que significam suas intricadas palavras!”

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